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segunda-feira, 7 de maio de 2012


Ontem a tarde no alto do Morro do Salgueiro me peguei pensando porque gosto tanto dessa cidade. Porque tenho tanto orgulho de ser carioca e de morar aqui.

Observar a cidade a partir de um plano tão superior, do alto de uma favela, olhando para a cidade lá embaixo, esparramada entre pequenas montanhas, ouvindo samba e aproveitando bons momentos concluí que a explicação se deve a três palavras: natureza, urbanidade e as pessoas.

A impressão é que tudo é conectado, não se consegue imaginar um dos três elementos desconectado dos outros dois. É só fechar os olhos e pensar. Pão de Açúcar, Corcovado, praias sem a intervenção do homem, sem bondinhos, sem Cristo Redentor, sem calçadão, sem gente jogando frescobol ou várias barracas coloridas pra nos proteger do sol... Imaginar o Rio Antigo, a avenida Rio Branco ou o Saara, imaginar Madureira, Copacabana... e, claro, os cariocas que dão alma à todos os lugares e coisas da cidade. O lugar só faz sentido quando se conecta seus elementos essenciais.

Deve ser por isso que tenho voltado uma vez por mês ao samba no alto da morro, ligado à uma escola que nem é a minha, mas onde tenho amigos. Talvez a sensação de estar lá no alto reforce a minha sensação de ser carioca.
Oi, blógue. Vim postar. \o/

domingo, 14 de agosto de 2011

Mancando rumo ao metrô

A crise de hérnia de disco ainda não passou, a perna esquerda segue bastante dormente. Caminhar assim é custoso, faz com que o locomover seja demorado até. Subir e descer escadas é especialmente difícil.

Na última sexta-feira tomava o caminho de casa e descia as escadas da estação do metrô de todos os dias, a Uruguaiana, no Centro do Rio. Baixava degrau por degrau, sem grande agilidade, é verdade. Já chegando à estação sinto puxar de cabelo. Um amigo, João Marcelo, o Dallas, futucava meus dreads com um sorriso de moleque no rosto.

- Tu engarrafou a escada, negão. Pior. Atrás de você tinha um cara mancando, eu jurava que ele tava te imitando, disse João Dallas. Então mostrou o rapaz, que não me imitava, realmente puxava a perna, mas andava com uma rapidez considerável.

Engraçado constatar que sou um tortinho lerdinho.


A melhor hora do dia

Dia desses foi um daqueles que começa cedo, cedíssimo. 7h30 já estava em sala de aula. 9h50 estava no trabalho. 20h ainda estava no trabalho. Após tantas horas na rua, indo de uma lado pro outro, convivendo com a pressão cotidiana do trabalho só queria voltar pra casa, ficar na horizontal, quietinho, dando um confortável descansada.

Pouco depois das 20h vazei do escritório rumo ao bom e velho lar. Caminho percorrido, portão do prédio aberto, elevador tomando, corredor do andar caminhado, chave enfiada na fechadura e... e... e... a porta emperrou.

Demorei a acreditar. Enfiei a chave de novo. Rodei. Nada. Fui lá embaixo, falei com o porteiro, peguei o telefone do chaveiro que atende 24 horas, subi de novo. Não acreditava. Chave de novo na fechadura. Sem sucesso. Desci. Falei com o porteiro de novo. O figura subiu. Tentou comigo. Nada.

Chamamos o outro porteiro. Eu já rodava o número do chaveiro na mão. Pensava no prejuízo que seria. Tentava entender o que acontecia. A lingueta de metal, aquele trinco que abre a porta quando se gira a maçaneta simplesmente não queria mais abrir. Ô, sorte...

Paciência quase perdida. Qual foi a solução? Empurrou-se a porta com, digamos, mais vigor que o normal. Pois é. Abriu. Perto de 22h consegui entrar em casa. Felizmente chegou a hora que esperei durante boa parte do dia.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Engraxate beijoqueiro

Dia desses vivia momentos de sociabilidade no Centro do Rio, na rua do Ouvidor. Tomava uma cerveja e conversava mui amistosamente com um camarada gente boa. Vendedores de amendoim torrado, engraxates e pedintes se revezavam passando pela mesa um atrás do outro.

O terceiro engraxate a passar ofereceu o serviço. Disse que não queria e agradeci. Ele ofereceu de novo a engraxada e pediu uma moeda. Educadamente respondi que só aceitaria a engraxada se fosse de graça porque nem moeda tinha. O figura sorriu, disse que de graça não engraxava mas dava um beijo na bochecha.

Ahn?

Pois é, deu um beijo na minha bochecha, levantou num pulo, pegou sua caixinha de engraxar e saiu gargalhando.

Chegou mais a frente e com aquele ar de moleque que só quem zoa na rua tem virou pra trás e mandou "aí, na amizade, meu bom". "Claro que é", respondi completando com um "vai na fé". E assim o engraxate beijoqueiro e moleque seguiu em frente rindo da parada que havia aprontado.

Seria um erê? Hehe.

A dura

Dia desses foi aniversário de uma colega de trabalho. Ela cismou de comemorar em Búzios. Ok, vamos a Búzios. Vicente foi com uma gringa amiga dela que veio ao Rio somente e apenas para a comemoração.

Alugou-se um carrinho mil que pro Vicente sai com desconto por conta de seu empregador. Rolando o ratatá com a gringa, ficava mais barato que ir de ônibus pra cidadezinha praieira da festa.

Blz, partiu Vicente com seu cabelo rasta-banguense e a gringa no carona. Era um sábado de sol, não muito quente, mas um dia agradável. A praia não deveria estar cheia, mas também não deveria estar vazia. O fluxo para a região dos lados era razoável.

Passando por Rio Bonito há um núcleo urbano, os carros têm que diminuir a velocidade para passar por lá. As vezes os policiais do Batalhão Rodoviário ficam ali de butuca pedindo um ou outro para parar. Naquele  dia  eu usava uma camisa amarela, a da equipe chilena do Coquimbo, e foi o suficiente para chamar a atenção dos Papa Mikes.

Carro parado. "De onde é que o senhor vem? Para onde é que o senhor vai?". Aquele caô de sempre. Eis que o hômi me pede para descer do carro e avisa: "revistarei todo o carro do senhor". Imaginei na hora que vui meu cabelo e ficou maluquinho atrás de um suposto flagrante pra me levar pra depê. Hehe, mal sabia ele que sempre ando limpinho, não sou usuário de substâncias entorpecentes ilícitas.

Seu polícia reistou tão cuidadosamente, tão cuidadosamente, mas com tanto afinco que fiquei com medo de ele realmente achar algo que não sabia o que era dentro daquele carro. Foi porta-luvas, necessaire, estojo dos óculos, mochila, abaixo dos bancos, porta-malas, tudo, tudo o que puderam olhar.

Ao mesmo tempo que eu achava interessante que os policiais estivessem trabalhando, achava alguma má-fé em ter justamente me parado, possivelmente por conta do cabelo rastafari. Aquela revista tão minuciosa, sei lá, não me pareceu ser para coibir o uso de substâncias entorpecentes, mas pareciam estar em busca de melar o que acreditavam eles eu usaria no fim de semana. Pois bem, Seu Polícia, perdeu. Provavelmente deixou muito do preto e do branco passar enquanto se esforçava pra me pegar. Pior, com figuras não tão "suspeitas" quanto eu.

Tudo bem. Após a dura mais dura que já tomei na vida, fui liberado tão limpo quando parei e tomei o resto do caminho. Mas, cara, que situação...

terça-feira, 28 de junho de 2011

Oi

Oi, blógue, eu voltei. Voltarei a escrever por aqui já, já... É só a semana ficar mais tranquila que vou colocar novos pôstes nesse meu espaço que hoje está tão esquecido...